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Minoru, ex-Abyara, une-se ao BTG Pactual

Daniela D’Ambrosio - Valor On-Line

Crédito Foto: Daniel Wainstein / Valor
Em evidência pela aquisição do Panamericano, o BTG Pactual - sem alarde - faz movimentos estratégicos também em outras áreas. A agressividade característica do banco já marca a sua presença no mercado imobiliário. Longe dos holofotes, no ano passado, registrou R$ 4 bilhões em fundos imobiliários e arrematou os endereços mais cobiçados de São Paulo e do Rio. Agora, aposta no improvável mercado residencial, segmento que não costuma atrair os bancos. Para comandar a área, elegeu Celso Minoru Tokuda, nome familiar para quem entende do ramo imobiliário.

Minoru fez fama como corretor e foi um dos fundadores da Abyara, empresa que não resistiu à crise e terminou nas mãos da Veremonte, do espanhol Enrique Bañuelos. Embora sua empresa tenha tido um fim trágico - Minoru não recebeu praticamente nada pela venda e tenha sido a primeira a quebrar-, ele continuou sendo, sempre, muito respeitado pelo mercado. É conhecido pela habilidade na compra de terrenos e pelo que chama de inteligência imobiliária: nos anos 80 e 90 criou e difundiu novos conceitos de produtos.

Sua ida para o BTG Pactual acontece justamente pela brecha deixada por outro empresário do setor, que também viu sua empresa sucumbir ao elevado endividamento. Oscar Segall, um dos fundadores da Klabin Segall - que foi comprada pela mesma Veremonte - entrou no BTG Pactual em meados do ano passado. E acaba de se desligar do banco. De acordo com fontes do setor, está indo para Miami, onde deve morar e cuidar de transações imobiliárias. De ascendência tradicionalíssima - Oscar é neto do pintor e escultor Lasar Segall e bisneto de Mauricio Klabin, fundador da fabricante de papéis Klabin - o ex-empresário pretende aproveitar o network selecionado e o conhecimento do mercado.

Segundo o Valor apurou, ao contrário de Segall, que tinha uma posição executiva, Minoru será sócio do banco. O desenho da sociedade ainda não está concluído e o segmento residencial será um braço da área de asset management do banco. Procurados, BTG Pactual e Minoru Tokuda não se pronunciaram sobre o assunto.

Segundo fontes, a plataforma residencial fará parceria com incorporadoras e o capital para financiar os projetos deve vir tanto dos fundos, quanto do próprio banco. A área, cuja equipe está sendo montada, inclui também salas comerciais de pequeno porte - febre do setor nos últimos dois anos.

Dos quatro fundos imobiliários que o BTG registrou na CVM e do quinto que está em análise, pelo menos dois estão diretamente ligados ao negócio residencial. Há fundos de desenvolvimento imobiliário e permutante, que investe em terrenos (residencial ou comercial) para fazer permuta com as incorporadoras por unidades autônomas dos empreendimentos. O valor total da oferta de cada fundo, ou seja, quanto o banco espera captar, é de R$ 1 bilhão.

Se a área residencial ainda é embrionária, no segmento comercial o banco está bastante ativo. Comprou 50% do Ventura, um dos mais modernos edifícios corporativos do Rio. Adquiriu em parceria com o grupo Malzoni, parte do edifício que pertencia à Brookfield, em um dos endereços mais cobiçados da Avenida Faria Lima. Com conclusão prevista para o fim deste ano, será a sede do banco. O banco, segundo o Valor apurou, estuda a aquisição de outros ativos e pretende ampliar sua atuação na área de galpões logísticos.

O BTG Pactual também comprou duas torres do Complexo JK, da construtora WTorre, além de 40% de participação em um terreno próximo ao shopping Morumbi, em São Paulo, onde será erguido edifício comercial de 96 mil 2.

Quem é Enrique Bañuelos?

Por Marcelo Onaga | 12.11.2009 | 00h01

Apesar de sua distância do dia a dia das empresas, seria um erro tratar Bañuelos como mero investidor institucional. É ele quem define a estratégia e o plano de crescimento de suas companhias. Depois, entrega a execução às pessoas que escolheu. No Brasil, Bañuelos elegeu dois homens de confiança. Um deles é Marcelo Parachinni, ex-vice-presidente do banco Santander na Espanha e principal executivo da Veremonte. É ele quem busca novos negócios para que o espanhol invista. O outro é Silveira Pinto, seu sócio na Agre. Fundador da Agra, ele é considerado pelo setor um dos grandes gestores de incorporadoras no país. Sua credibilidade com os bancos também foi decisiva na escolha da parceria. Coube a Silveira Pinto acertar a compra da Abyara e da Klabin Segall e renegociar suas dívidas, de mais de 1,2 bilhão de reais, com os bancos. A compra das duas incorporadoras revelou a forma arrojada como Bañuelos e seus enviados fazem negócios. Não houve processos de auditoria em nenhuma das companhias. A situação de caixa de ambas era crítica e foi necessária uma ação rápida. "Eles assumiram o risco e aproveitaram um momento de preços muito baixos para comprar duas empresas boas que enfrentavam problemas", diz Eduardo Silveira, analista de construção civil do Banco Fator.
A derrocada cinematográfica em seu país natal, a Espanha, representou para Bañuelos não apenas uma mudança em sua estratégia de negócios como também afetou profundamente sua vida pessoal. A sede da Veremonte passou a ser Londres. É de lá que o jato executivo Gulfstream 550 da Rentalia decola para levá-lo a diversos pontos do mundo. Seu destino mais frequente é o Brasil, onde já passou 160 dias deste ano. Até o final de outubro, Bañuelos costumava se hospedar em hotéis paulistanos durante as visitas ao país. Há poucas semanas, mudou-se para uma cobertura na Vila Nova Conceição, bairro nobre ao lado do Parque Ibirapuera (adepto de meias maratonas, o empresário corre no parque vizinho sempre que pode). Seu lazer quando está no país se resume a passeios a pé pelas ruas de São Paulo. "Gosto de andar e não sei dirigir. Então caminho muito." Sua família continua morando em Valência. A mulher trabalha para o governo como fiscal de renda. As filhas, de 9 e 11 anos de idade, estudam em uma escola comum, têm aulas particulares de mandarim e uma vida tão comum quanto garotas bilionárias podem ter. "Quero que elas cresçam como crianças normais", diz Bañuelos. Para matar a saudade, o empresário fala com as meninas duas vezes por dia por videoconferência. Nos fins de semana, ele voa para Valência ou a família se desloca para Londres. O estilo de vida confortável que Bañuelos pode oferecer às filhas contrasta com sua infância difícil. Após a morte do pai, vítima de um acidente de trabalho, ele, a mãe e a irmã passaram por dificuldades financeiras. A empresa onde o pai trabalhara pagou seus estudos, mas não havia renda suficiente para as demais necessidades da família. "Muitas vezes a comida acabava antes de o mês terminar", diz ele. Aos 16 anos, juntamente com três amigos, ele abriu seu primeiro negócio, a Miel de Luna, uma pequena fabricante de mel. Aos 19, criou uma imobiliária. Uma década depois, sua empresa já tinha um tamanho respeitável. Começa, assim, sua vida de investidor no mercado de imóveis. Em 2005, sua empresa valia 1 bilhão de dólares.
Bañuelos venceu a miséria, sobreviveu, embora chamuscado, ao colapso no mercado espanhol e agora, aos 43 anos de idade, tenta repetir seu período de fausto no Brasil. "Aos poucos ele foi mostrando seus planos, investindo dinheiro próprio e vencendo a desconfiança", diz Sérgio Carettoni, acionista minoritário da Agre. Mas o próprio Bañuelos sabe que, para afastar as nuvens que o cercam, ele precisará fazer de seus planos negócios reais.