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Governo aposta em complexo imobiliário para o trem-bala

Depois de ser derrotado pela teimosia de manter uma fórmula polêmica, criticada pelos investidores, o Governo mudou radicalmente o modelo de licitação (agora em duas etapas) e já aceita arcar com alguns riscos do empreendimento - leia-se, colocar mais dinheiro. Também vai criar mecanismos para tornar o projeto mais rentável para compensar o valor da obra.

O principal deles está associado aos empreendimentos imobiliários que podem ser construídos no entorno das estações, produzindo receita extra. O Estado apurou que a intenção do governo é fazer a declaração de utilidade pública dos terrenos próximos das paradas do trem antes da segunda fase de licitação. Ele também será responsável pela desapropriação das terras.

No modelo anterior, as áreas teriam de ser adquiridas pelos investidores, o que tornou muitos projetos imobiliários inviáveis. Essa era a aposta, por exemplo, do consórcio coreano, que projetava construir "novas cidades" ao lado dos trilhos. Mas, sem declaração de utilidade pública, qualquer empresa que não estivesse ligada ao trem-bala poderia explorar a área. "Ninguém ia querer vender um terreno com grandes potenciais de ganhos. Se vendessem, iam jogar o preço lá em cima", diz um investidor.

A nova formatação para o Trem de Alta Velocidade (TAV), entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, ainda está em fase de elaboração e tem muitos pontos sem explicação. Mas a lógica é dividir os riscos, como os detentores de tecnologia vinham repetindo desde o início das discussões sobre o projeto.

A primeira licitação vai englobar a tecnologia e a operação do trem-bala. Segundo fontes ligadas ao governo, os interessados vão elaborar um projeto básico, com estudo de demanda de passageiros e tarifas para conseguir dar um lance no leilão. Quem ganhar o processo ficará com o risco de demanda e terá de fazer o projeto executivo do TAV, que determinará o traçado e os custos de construção.

Com o material em mãos, o governo fará a segunda licitação, que será a concessão dos ativos. A vencedora vai contratar as empreiteiras que construirão a infraestrutura (instalação de trilhos, pontes, viadutos e túneis). A novidade é que, depois da pressão sofrida pelo governo, não poderá haver participação cruzada nas licitações. Ou seja, quem estiver no primeiro grupo não poderá entrar no segundo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Governo avaliará pedido de adiamento do leilão do trem-bala

DIMMI AMORA
DE BRASÍLIA
Fonte: O Estado de São Paulo

O presidente da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Bernardo Figueiredo, disse que encaminhará ao governo pedido formal da empresa espanhola Talgo, que produz trens de alta velocidade, para adiar o leilão do trem-bala ligando Campinas-SP-RJ. O leilão está marcado para 11 de abril e já foi adiado uma vez.

Segundo Bernardo, a decisão por adiamento cabe ao governo. No ano passado, ele se posicionou contrário aos pedidos de adiamento feitos por vários interessados antes do leilão marcado para 29 de novembro de 2010.

O presidente da ANTT estava na apresentação feita pela Talgo para investidores e funcionários do governo sobre seus planos de investimento no país.

O presidente da empresa, José Maria Oriol, voltou a confirmar que tem interesse em entrar no projeto do trem-bala do Brasil, mas ainda não tem parceiros fechados.

A empresa também informou estar interessada em vender trens para ligações regionais de média velocidade (até 250 km/h) e que se houver demanda fará uma fábrica no país.

A cidade de São José dos Campos terá uma parada obrigatória, mas ainda não se definiu a localização exata. Veja aqui mais informações