O mago dos imóveis vai investir em infraestrutura no Brasil


Quando comprou ações da Gafisa pela primeira vez, há cinco anos, o mega investidor americano Sam Zell desembolsou US$ 55 milhões para ficar com um terço da companhia. Na época, poucas pessoas arriscariam dizer que o mercado imobiliário mudaria tanto em pouco tempo. Zell começava, ali, a eleger o Brasil como o melhor lugar do mundo para investir. Depois de injetar US$ 500 milhões em seis empresas brasileiras - metade do dinheiro aplicado por seus quatro fundos no mundo -, Zell agora quer "alargar" o conceito de mercado imobiliário. "Nós somos conhecidos mundialmente como investidores imobiliários. Mas a verdade é que 70% dos nossos negócios não são nesse mercado", disse Zell ao Estado (leia entrevista abaixo). "O Brasil é o melhor lugar do mundo para investir. Em qualquer área."

No radar de Zell, entra qualquer negócio ligado à infraestrutura. Ele quer aproveitar as oportunidades que surgirão com a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, que acontecerá no Rio de Janeiro dois anos depois. "Podemos investir em estádios, aeroportos, transporte público e hotéis. À medida que o Brasil cresce, mais oportunidades vão aparecer", diz Gary Garrabrant, sócio de Zell na Equity International (EI), empresa de investimentos fora dos Estados Unidos. "De tempos em tempos nós conversamos com as construtoras brasileiras sobre infraestrutura e como nós podemos participar disso."

Em hotelaria, por exemplo, a ideia é investir em unidades de padrão econômico. "Não há espaço para muitos hotéis de luxo no Brasil", diz Garrabrant, no lobby do hotel Fasano, em São Paulo. "Faltam hotéis de classe média no Rio de Janeiro." Eles também cogitam entrar no negócio de fazendas, a exemplo do que fez seu concorrente Elie Horn, o controlador da Cyrela, na BrasilAgro - ela compra terras em estado bruto, investe em melhorias e tenta vender com lucro mais adiante.

Filho de imigrantes poloneses, Zell é considerado um visionário, uma espécie de Warren Buffet dos imóveis. Em 2007, pouco antes da crise imobiliária americana, vendeu a sua Equity Offices Properties por US$ 39 bilhões, o maior negócio no setor até hoje no mundo. Zell começou cedo, comprando apartamentos para colegas da Univesidade de Michigan, e construiu um império com mais de 220 mil propriedades espalhadas pelos EUA.


EXPERIÊNCIA

Hoje, Zell não só é o maior acionista individual, com 13,66%, da Gafisa - uma das maiores incorporadoras do País, listada na Bolsa de Nova York -, como também se tornou o maior sócio da BRMalls, empresa líder no setor de shopping centers, e da Bracor, especializda em imóveis comerciais e industriais. Tem ainda participação relevante na AGV Logística, na construtora popular Tenda e na Brazilian Finance & Real Estate, de hipotecas residenciais, securitização de recebíveis e estruturação de fundos imobiliários. "Ser sócio de Sam Zell abre portas. Ele agrega imagem e conhecimento", diz Fábio Nogueira, diretor da Brazilian Finance, último investimento do americano no País. A Equity International pagou US$ 125 milhões por uma fatia de 20,7% na companhia.

A Bracor acabou de receber mais uma rodada de capitalização dos sócios, que lhe dará cacife para investir R$ 1 bilhão. "A Bracor vai fazer quatro anos e já tem R$ 2,5 bilhões em ativos próprios. Sam Zell ajuda muito com a experiência anterior", conta Carlos Betancourt, presidente da Bracor.

Na Gafisa e na Tenda, o investidor pretende injetar mais dinheiro para aproveitar o crescimento do mercado imobiliário local, especialmente na baixa renda. "Vamos apoiar Gafisa e Tenda com a maior quantidade de dinheiro possível. Não vamos comprar mais empresas residenciais, mas criar gigantes no setor", diz Garrabrant. "Sam Zell teve uma enorme importância na definição das estratégias que levaram a Gafisa a ser o que é hoje", afirma Wilson Amaral, presidente da Gafisa.

Zell só participa das grandes decisões. Ao Brasil, vem uma ou duas vezes por ano. Os executivos da EI, Garrabrant e Thomas McDonald, tem assentos nos conselhos das empresas, o que exige visitas mais frequentes. Na última viagem ao Brasil, Garrabrant falou pela primeira vez com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Foi apresentar a sociedade com a Brazilian Finance e discutir oportunidades de negócios.


Quem é Sam Zell

Filho de imigrantes poloneses, Sam Zell nasceu em Chicago em 1941. Formado em direito pela Universidade de Michigan, o investidor começou comprando imóveis para colegas de faculdade. Criou um império com 220 mil propriedades nos EUA, vendido em 2007 para o fundo Blackstone por US$ 39 bilhões
A Gafisa foi seu primeiro investimento no Brasil. Pagou US$ 55 milhões por um um terço da construtora. Hoje é sócio de seis empresas no País

Por que o Brasil é a bola da vez, segundo o mega investidor

1 Com mais de 190 milhões de habitantes, o Brasil tem escala para investimentos
2 É autossuficiente em energia elétrica e um país rico em recursos naturais
3 É politicamente estável. Serve de exemplo para toda a América Latina
4 Tem um governo economicamente conservador e socialmente progressista
5 Tem executivos de primeira linha, o que é difícil achar em outros países onde invisto

Fonte: O Estado de São Paulo

Aculpuntura urbana em São Paulo

Conheço a cidade de São Paulo como poucos, afinal, trabalho com imóveis há muitos anos. Adoro a cidade, mas cada vez mais vejo-a como peças de Lego desencaixadas, onde os centros de moradia e trabalho ficam cada vez mais distantes uns dos outros graças aos engarrafamentos que a interligam.

Sem a possibilidade de ir e vir e principalmente sem políticas públicas sérias, aos poucos a cidade vai exarcebando suas desigualdades. “O distrito de Moema, que abriga a Vila Nova Conceição, bairro com o metro quadrado mais caro de São Paulo, possui uma renda per capita média de 5,5 mil reais e um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,961, superior ao de países como Suíça, Dinamarca e Estados Unidos. (…) Com uma população de 124,9 mil habitantes, o distrito de Jardim Helena possui uma renda média de 584 reais e um IDH inferior ao de países como Gabão e Sri Lanka.” (Carta Capital, Edição 580, p. 21)

Resta a nós do mercado imobiliário, investidores, incorporadores, construtoras e brokers a tarefa de re-desenhá-la, oferecendo alternativas viáveis. No curto prazo, a idéia central é fazer com que os bairros se voltem para eles próprios, oferecendo moradia, lazer, trabalho sem a necessidade de grandes deslocamentos. Bairros como o Morumbi, Moóca e Tatuapé, por exemplo, com farta mão de obra disponível e também um caótico trânsito, a hora, agora, é de se privilegiar a construção de imóveis comerciais, evitando-se fluxo desnecessário do local de residência para traballho e vice-versa.

Os novos produtos em lançamento no mercado imobiliário tem a obrigação de ser ecologicamente corretos, com maiores áreas permeáveis e reaproveitamento das águas de chuva, por exemplo. Para cada 10 prédios novos na cidade deveria ser criada uma nova praça, como contrapartida. Somente com um trabalho de "aculpuntura urbana", poderemos melhorar a qualidade de vida na nossa cidade.

Marcelo Escobar

Em meio a crise, Dubai inaugura o maior prédio do mundo

O edifício mais alto do mundo é inaugurado nesta segunda-feira, dia 4 de janeiro, em Dubai. O Burj Dubai (que quer dizer Torre Dubai) tem mais de 800 metros de altura e pode ser avistado a 100 quilômetros de distância. O novo edifício tem 160 andares, trezentos metros a mais do que segundo maior prédio do mundo, o Taipei 101, em Taiwan, e duas vezes mais alto que o Empire State Building, em Nova York.

A fachada externa do Burj Dubai tem nada menos do que 28 mil painéis de vidro. Além da altura, os ventos do deserto foram o maior desafio arquitetônico do edifício. No Emirado do Dubai, é comum os ventos chegarem a 50 quilômetros por hora e a velocidade pode triplicar no topo do edifício.