Roseli Hernandes
04.10.2010
Nos últimos dois anos, o aquecimento da economia, o aumento do poder aquisitivo da população, a ascensão da classe C, a redução das taxas de juros e o expressivo aumento da oferta de crédito criaram um cenário extremamente favorável para o mercado de imóveis. Em São Paulo, bem como nos municípios em seu entorno, a expansão da malha viária e da rede de transportes metropolitana, com a inauguração do trecho sul do Rodoanel e de novas estações de trem e de metrô permitiram uma grande valorização de boa parte dos imóveis residenciais e comerciais.
O aumento da demanda trouxe um boom de lançamentos e, especialmente no último ano, maior quantidade de imóveis usados colocados à venda, seja porque seus proprietários desejaram realizar imediatamente o lucro pela valorização ou porque, em outros casos, decidiram mudar para apartamentos ou casas maiores ou mais bem localizadas. O fato é que o mercado paulistano nunca esteve tão movimentado, com inúmeras possibilidades para quem deseja comprar para morar, revender ou alugar. O setor está mais do que nunca atraente, mas é preciso prudência e análise para que se possa fazer o melhor negócio.
Com tantas ofertas e opções, é natural que muitos tenham dúvida de em qual ficha apostar. E, regra geral, há uma percepção generalizada de que, para morar ou investir, a melhor opção são os lançamentos imobiliários ou empreendimentos residenciais em construção. Muita calma nessa hora.
Há inúmeras ofertas interessantes em lançamentos residenciais. E vantagens: o comprador receberá um imóvel totalmente sem uso, moderno e com áreas de lazer mais sofisticadas, como fitness e varanda gourmet, dentre outros. Além disso, terá facilidade no retorno, e ganho expressivo se desejar revender a unidade próximo à data de entrega das chaves.
Mas há uma impressão equivocada de que o lançamento imobiliário é mais barato do que o imóvel usado. Proporcionalmente, na comparação do valor por metro quadrado, o preço de um imóvel pronto, usado, é de 20% a 30% menor do que o dos que estão em construção.
A maior disponibilidade de financiamento bancário, que hoje já responde por mais de 40% das vendas realizadas, contra 20% há três anos, e a possibilidade de desconto dos proprietários para agilizar o fechamento do negócio tornam atraente a compra de usados.
Os imóveis de terceiros têm a vantagem de serem disponibilizados praticamente no ato para os compradores, tão logo seja finalizada a transação financeira, sem necessidade de se aguardar por dois ou três anos até a entrega da unidade, que ainda terá de ser mobiliada e decorada, e muitas vezes depende ainda de colocação de pisos e alguns acabamentos.
Além disso, as unidades prontas podem ser visitadas "fisicamente" pelos interessados. O cliente sabe exatamente aquilo que está comprando, e inclusive sabe de antemão informações precisas, como o valor do condomínio e do IPTU, e por isso a chance de arrependimento, no futuro, é menor.
No caso de compra para investimento, o imóvel usado também é bom negócio, já que o proprietário pode começar a usufruir dos rendimentos da locação rapidamente, logo após a entrega das chaves, tendo retorno sobre o investimento realizado na compra da unidade.
A expansão do financiamento imobiliário facilitou a compra de imóveis de terceiros, e cada vez mais esse tipo de negócio é realizado em São Paulo. Entretanto, alguns cuidados são essenciais para que a compra ocorra sem surpresas, como verificar se a unidade está com toda a sua documentação em ordem.
O proprietário também não pode estar impedido legalmente de vendê-lo, como, por exemplo, ter seus bens indisponíveis por decisão judicial. Para verificar se o vendedor não tem problemas de idoneidade financeira recomendam-se procurar uma consultoria e, em São Paulo, solicitar certidão negativa dos dez cartórios de protesto, certidão do cartório de distribuidores cíveis e família, executivos fiscais, trabalhista e certidão da Justiça federal.
Com o mercado aquecido, multiplicaram-se as possibilidades, e neste momento é necessário serenidade, informação e consultoria para fazer as escolhas certas.
Juro para imóvel no Brasil é um dos mais altos do mundo
Agência Estado
04.10.2010
SÃO PAULO - Assim como ocorre no mercado de crédito em geral, as taxas de juros dos empréstimos imobiliários do Brasil estão entre os mais altos do mundo. O mesmo ocorre com o spread - a diferença entre a taxa que a instituição financeira paga ao captar o dinheiro e a que cobra ao repassá-lo para o cliente. A conclusão faz parte de um estudo da consultoria ATKearney, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Este é o primeiro levantamento do gênero realizado desde que as concessões desses empréstimos dispararam no País.
A pesquisa compara a situação em cinco nações: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Rússia e Chile. Aqui, o spread médio no segmento imobiliário é de 5,05 pontos porcentuais ao ano, ante 3,1 na Rússia, 4,8 nos EUA, 3 pontos no Chile e 2,2 na Espanha. No caso do juro, os resultados foram de, respectivamente, 11,3%, 14,5%, 5%, 4,9% e 3,4%.
Nos últimos meses, o crédito imobiliário deu um salto no Brasil, a despeito do custo elevado na comparação com outros países. Segundo dados do Banco Central (BC), esses empréstimos cresceram 51% nos 12 meses terminados em agosto, ante expansão de 19% do crédito total da economia. Bancos e especialistas do setor imobiliário prevêem que o crescimento continuará acelerado.
04.10.2010
SÃO PAULO - Assim como ocorre no mercado de crédito em geral, as taxas de juros dos empréstimos imobiliários do Brasil estão entre os mais altos do mundo. O mesmo ocorre com o spread - a diferença entre a taxa que a instituição financeira paga ao captar o dinheiro e a que cobra ao repassá-lo para o cliente. A conclusão faz parte de um estudo da consultoria ATKearney, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Este é o primeiro levantamento do gênero realizado desde que as concessões desses empréstimos dispararam no País.
A pesquisa compara a situação em cinco nações: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Rússia e Chile. Aqui, o spread médio no segmento imobiliário é de 5,05 pontos porcentuais ao ano, ante 3,1 na Rússia, 4,8 nos EUA, 3 pontos no Chile e 2,2 na Espanha. No caso do juro, os resultados foram de, respectivamente, 11,3%, 14,5%, 5%, 4,9% e 3,4%.
Nos últimos meses, o crédito imobiliário deu um salto no Brasil, a despeito do custo elevado na comparação com outros países. Segundo dados do Banco Central (BC), esses empréstimos cresceram 51% nos 12 meses terminados em agosto, ante expansão de 19% do crédito total da economia. Bancos e especialistas do setor imobiliário prevêem que o crescimento continuará acelerado.
Saldo de crédito à cadeia imobiliária cresce 250% em 5 anos, para R$ 69 bi
Fernando Travaglini
04.10.2010
O dinamismo do setor de construção civil atrai cada vez mais a atenção dos bancos. O saldo total de empréstimos para as empresas ligadas à cadeia imobiliária atingiu a marca de R$ 69 bilhões em julho deste ano, saindo de R$ 20 bilhões há cinco anos. O crescimento desde 2005 atingiu a marca expressiva de 250%, segundo dados do Banco Central (BC).
Somando o estoque de linhas para as famílias, de R$ 116 bilhões, o total de recursos devido às instituições financeiras acumula R$ 185 bilhões, avanço de 300% nos últimos cinco anos, ou o equivalente a uma expansão média de 45% ao ano. As informações constam de um levantamento feito pela autoridade monetária para o último Relatório de Inflação, relativo ao mês de setembro.
De acordo com o BC, o mercado tem revelado "dinamismo nos últimos anos, condizente com as condições macroeconômicas positivas" da economia brasileira. A oferta, considerada pela autoridade monetária como "vigorosa", segue às melhorias legais, como a alienação fiduciária, e também à evolução da renda e do emprego das famílias.
Nesse período, o crédito para as empresas cresceu 530%, chegando a R$ 34,3 bilhões também em julho de 2010. Apesar do amplo domínio da Caixa Econômica Federal no financiamento aos mutuários, os recursos direcionados para as empresas ainda é um mercado cativo dos grandes bancos. As incorporadoras têm uma carteira de R$ 18,7 bilhões, enquanto o restante, R$ 15,6 bilhões, é o saldo das linhas para a construção de edifícios.
Segundo o BC, o desempenho "refletiu o elevado volume de lançamentos imobiliários, especialmente entre 2007 e 2008, beneficiados pelos recursos captados no mercado de capitais" por parte das grandes incorporadoras e construtoras. Desde 2005, 29 empresas do setor realizaram processo de abertura de capital. As emissões somaram R$ 32,1 bilhões, além de outros R$ 5,5 bilhões captados por meio de debêntures.
Os segmentos relacionados também vêm sendo beneficiados pelo boom de crédito à habitação. As empresas de serviços imobiliários demandam mais empréstimos e o estoque da carteira atingiu R$ 6,6 bilhões. Outros R$ 22 bilhões compõem o estoque do setor de material de construção, além do direcionamento de mais R$ 6,2 bilhões em infra estrutura ligada à construção civil.
Durante coletiva para divulgação do Relatório de Inflação, na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, comentou que esse segmento apresenta um crescimento expressivo, mas o volume ainda é pequeno, da ordem de 3,5% do PIB. Segundo ele, há países que tem estoque muito superior ao Brasil. "40% do PIB não é exagerado", disse.
04.10.2010
O dinamismo do setor de construção civil atrai cada vez mais a atenção dos bancos. O saldo total de empréstimos para as empresas ligadas à cadeia imobiliária atingiu a marca de R$ 69 bilhões em julho deste ano, saindo de R$ 20 bilhões há cinco anos. O crescimento desde 2005 atingiu a marca expressiva de 250%, segundo dados do Banco Central (BC).
Somando o estoque de linhas para as famílias, de R$ 116 bilhões, o total de recursos devido às instituições financeiras acumula R$ 185 bilhões, avanço de 300% nos últimos cinco anos, ou o equivalente a uma expansão média de 45% ao ano. As informações constam de um levantamento feito pela autoridade monetária para o último Relatório de Inflação, relativo ao mês de setembro.
De acordo com o BC, o mercado tem revelado "dinamismo nos últimos anos, condizente com as condições macroeconômicas positivas" da economia brasileira. A oferta, considerada pela autoridade monetária como "vigorosa", segue às melhorias legais, como a alienação fiduciária, e também à evolução da renda e do emprego das famílias.
Nesse período, o crédito para as empresas cresceu 530%, chegando a R$ 34,3 bilhões também em julho de 2010. Apesar do amplo domínio da Caixa Econômica Federal no financiamento aos mutuários, os recursos direcionados para as empresas ainda é um mercado cativo dos grandes bancos. As incorporadoras têm uma carteira de R$ 18,7 bilhões, enquanto o restante, R$ 15,6 bilhões, é o saldo das linhas para a construção de edifícios.
Segundo o BC, o desempenho "refletiu o elevado volume de lançamentos imobiliários, especialmente entre 2007 e 2008, beneficiados pelos recursos captados no mercado de capitais" por parte das grandes incorporadoras e construtoras. Desde 2005, 29 empresas do setor realizaram processo de abertura de capital. As emissões somaram R$ 32,1 bilhões, além de outros R$ 5,5 bilhões captados por meio de debêntures.
Os segmentos relacionados também vêm sendo beneficiados pelo boom de crédito à habitação. As empresas de serviços imobiliários demandam mais empréstimos e o estoque da carteira atingiu R$ 6,6 bilhões. Outros R$ 22 bilhões compõem o estoque do setor de material de construção, além do direcionamento de mais R$ 6,2 bilhões em infra estrutura ligada à construção civil.
Durante coletiva para divulgação do Relatório de Inflação, na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, comentou que esse segmento apresenta um crescimento expressivo, mas o volume ainda é pequeno, da ordem de 3,5% do PIB. Segundo ele, há países que tem estoque muito superior ao Brasil. "40% do PIB não é exagerado", disse.
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