Tatiana Resende
Empréstimos com recursos da caderneta de poupança batem novo recorde no primeiro semestre, com o mercado imobiliário aquecido e os bancos disputando os clientes, o percentual financiado do valor da moradia vem crescendo e atingiu 62,7% do total, na média, no primeiro semestre. Esse percentual supera o contabilizado no mesmo período de 2010 (61,9%). Os dados divulgados ontem pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança) consideram empréstimos com recursos da caderneta.
Em 2005, os mutuários davam entrada de mais da metade do valor do imóvel financiado, restando aos bancos liberar 47,9%. Para Luiz Antonio França, presidente da entidade, "80% é um número saudável para padrões mundiais". Esse percentual é o limite nos grandes bancos privados, nível que chega a 90% no Banco do Brasil e na Caixa.
A opinião é compartilhada por João da Rocha Lima Jr., professor titular de "real estate", núcleo da Poli/USP. "O risco de crédito é muito baixo quando se tem um mercado regulado, se são preços justos e não artificialmente inflados como nos EUA", afirma Lima Jr., ressaltando, porém, que já há casos em alguns bairros em que o aumento não se justifica.
Vale lembrar que, além desse teto, o valor financiado pelo banco depende do salário do mutuário, já que só é possível comprometer cerca de um terço da renda mensal familiar com as prestações.
As operações com recursos da poupança atingiram R$ 37 bilhões no semestre, com alta de 55%, registrando o melhor resultado na série histórica, iniciada em 1967. Em número de financiamentos, foram 236,5 mil unidades, alcançando também um novo patamar, com expansão de 26% na mesma comparação - a diferença entre os aumentos mostra a elevação no preço. Junho, por sua vez, teve o melhor desempenho mensal.
De olho nessa expansão, a Abecip vai começar a certificar profissionais que atuam no mercado imobiliário. O primeiro teste ocorre neste mês e será aplicado a quem trabalha em bancos, securitizadoras e companhias hipotecárias.
Juro alto dificulta a busca de novos financiadores
Os números do primeiro semestre mostraram que as projeções de crescimento do crédito imobiliário poderão ser superadas: o volume poderá ser superior a R$ 120 bilhões. O crédito contratado com recursos da poupança deverá responder pela maior parte desse crescimento.
Como os saques nas cadernetas de poupança superaram os depósitos realizados no semestre, os números continuam a mostrar que, para sustentar a expansão dos últimos anos, novas fontes de recursos terão que ser trazidas ao mercado.
Nos últimos anos, várias medidas promoveram um aperfeiçoamento do marco regulatório do financiamento que permitiu uma grande expansão de outras fontes. Assim, a captação via Fundos de Investimentos Imobiliários ou Certificados de Recebíveis Imobiliários cresceu em 2010 e continua se fortalecendo em 2011. E os números chineses da expansão imobiliária doméstica têm atraído o interesse de um número cada maior de investidores estrangeiros.
Vale lembrar também que em 2011 tem ganhado força entre os bancos a idéia de criação dos "covered bonds", um título emitido pela própria instituição a partir dos recebíveis gerados pelos empréstimos habitacionais e que se configuraria em nova fonte de recursos. No entanto o financiamento habitacional continua dependente de duas fontes: o FGTS e a poupança. A maior dificuldade em alterar esse quadro está no custo de captação dos recursos.
A taxa de juros alta - e ainda em elevação- faz com que as alternativas tenham custos bem superiores aos das fontes tradicionais. Os juros efetivos dos empréstimos habitacionais com origem nos recursos da poupança e do FGTS dependem da renda do comprador e do valor do imóvel e podem variar de 5,19% a 11,5%. Portanto, o FGTS, que garante 3% mais TR ao trabalhador, e a poupança, com um rendimento de 6% mais TR, continuam imprescindíveis para viabilizar a compra da casa própria para grande parte das famílias.
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Tombini: BC está atento ao financiamento imobiliário
Por Adriana Fernandes, Fabio Graner e Fernando Nakagawa
BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a afirmar hoje que o BC está atento ao crédito imobiliário e disse que não há nada que exija medidas prudenciais para esse mercado. Embora não enxergue risco de bolha do crédito imobiliário no Brasil, Tombini destacou que a crise financeira internacional surgiu nesse segmento.
"Estamos atentos. Não há nada nesse momento que requeira medidas prudenciais, mas somos pagos para verificar o mercado", disse. Ele ressaltou que há espaço para crescimento do financiamento imobiliário nos próximos anos.
Tombini avaliou ainda que houvesse forte crescimento do mercado de crédito ao consumo, que continuará em expansão, mas com taxas mais moderadas. Já no mercado de crédito imobiliário, afirmou o presidente do BC, é natural que com a demanda reprimida de seis milhões de residências (o déficit habitacional) a tendência seja de crescimento maior. "Essa é uma área de atenção. Mas não há nada em especial", insistiu. Tombini ponderou que o crédito imobiliário é ainda pequeno no Brasil, correspondendo a menos de 5% do PIB.
O presidente do BC destacou hoje que uma das preocupações da autoridade monetária é com a qualidade do atendimento ao cliente bancário. Segundo ele, a inclusão bancária é uma realidade no País e há uma série de medidas sendo tomadas para aumentá-la. "Há uma atenção grande para que esse processo continue", disse. "Temos uma preocupação que as instituições financeiras lidem com qualidade", acrescentou. Ele ponderou, no entanto, que esse processo tem que se dar com segurança.
BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a afirmar hoje que o BC está atento ao crédito imobiliário e disse que não há nada que exija medidas prudenciais para esse mercado. Embora não enxergue risco de bolha do crédito imobiliário no Brasil, Tombini destacou que a crise financeira internacional surgiu nesse segmento.
"Estamos atentos. Não há nada nesse momento que requeira medidas prudenciais, mas somos pagos para verificar o mercado", disse. Ele ressaltou que há espaço para crescimento do financiamento imobiliário nos próximos anos.
Tombini avaliou ainda que houvesse forte crescimento do mercado de crédito ao consumo, que continuará em expansão, mas com taxas mais moderadas. Já no mercado de crédito imobiliário, afirmou o presidente do BC, é natural que com a demanda reprimida de seis milhões de residências (o déficit habitacional) a tendência seja de crescimento maior. "Essa é uma área de atenção. Mas não há nada em especial", insistiu. Tombini ponderou que o crédito imobiliário é ainda pequeno no Brasil, correspondendo a menos de 5% do PIB.
O presidente do BC destacou hoje que uma das preocupações da autoridade monetária é com a qualidade do atendimento ao cliente bancário. Segundo ele, a inclusão bancária é uma realidade no País e há uma série de medidas sendo tomadas para aumentá-la. "Há uma atenção grande para que esse processo continue", disse. "Temos uma preocupação que as instituições financeiras lidem com qualidade", acrescentou. Ele ponderou, no entanto, que esse processo tem que se dar com segurança.
Juro para imóvel no Brasil é um dos mais altos do mundo
Agência Estado
04.10.2010
SÃO PAULO - Assim como ocorre no mercado de crédito em geral, as taxas de juros dos empréstimos imobiliários do Brasil estão entre os mais altos do mundo. O mesmo ocorre com o spread - a diferença entre a taxa que a instituição financeira paga ao captar o dinheiro e a que cobra ao repassá-lo para o cliente. A conclusão faz parte de um estudo da consultoria ATKearney, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Este é o primeiro levantamento do gênero realizado desde que as concessões desses empréstimos dispararam no País.
A pesquisa compara a situação em cinco nações: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Rússia e Chile. Aqui, o spread médio no segmento imobiliário é de 5,05 pontos porcentuais ao ano, ante 3,1 na Rússia, 4,8 nos EUA, 3 pontos no Chile e 2,2 na Espanha. No caso do juro, os resultados foram de, respectivamente, 11,3%, 14,5%, 5%, 4,9% e 3,4%.
Nos últimos meses, o crédito imobiliário deu um salto no Brasil, a despeito do custo elevado na comparação com outros países. Segundo dados do Banco Central (BC), esses empréstimos cresceram 51% nos 12 meses terminados em agosto, ante expansão de 19% do crédito total da economia. Bancos e especialistas do setor imobiliário prevêem que o crescimento continuará acelerado.
04.10.2010
SÃO PAULO - Assim como ocorre no mercado de crédito em geral, as taxas de juros dos empréstimos imobiliários do Brasil estão entre os mais altos do mundo. O mesmo ocorre com o spread - a diferença entre a taxa que a instituição financeira paga ao captar o dinheiro e a que cobra ao repassá-lo para o cliente. A conclusão faz parte de um estudo da consultoria ATKearney, feito a pedido do jornal O Estado de S. Paulo. Este é o primeiro levantamento do gênero realizado desde que as concessões desses empréstimos dispararam no País.
A pesquisa compara a situação em cinco nações: Brasil, Estados Unidos, Espanha, Rússia e Chile. Aqui, o spread médio no segmento imobiliário é de 5,05 pontos porcentuais ao ano, ante 3,1 na Rússia, 4,8 nos EUA, 3 pontos no Chile e 2,2 na Espanha. No caso do juro, os resultados foram de, respectivamente, 11,3%, 14,5%, 5%, 4,9% e 3,4%.
Nos últimos meses, o crédito imobiliário deu um salto no Brasil, a despeito do custo elevado na comparação com outros países. Segundo dados do Banco Central (BC), esses empréstimos cresceram 51% nos 12 meses terminados em agosto, ante expansão de 19% do crédito total da economia. Bancos e especialistas do setor imobiliário prevêem que o crescimento continuará acelerado.
Saldo de crédito à cadeia imobiliária cresce 250% em 5 anos, para R$ 69 bi
Fernando Travaglini
04.10.2010
O dinamismo do setor de construção civil atrai cada vez mais a atenção dos bancos. O saldo total de empréstimos para as empresas ligadas à cadeia imobiliária atingiu a marca de R$ 69 bilhões em julho deste ano, saindo de R$ 20 bilhões há cinco anos. O crescimento desde 2005 atingiu a marca expressiva de 250%, segundo dados do Banco Central (BC).
Somando o estoque de linhas para as famílias, de R$ 116 bilhões, o total de recursos devido às instituições financeiras acumula R$ 185 bilhões, avanço de 300% nos últimos cinco anos, ou o equivalente a uma expansão média de 45% ao ano. As informações constam de um levantamento feito pela autoridade monetária para o último Relatório de Inflação, relativo ao mês de setembro.
De acordo com o BC, o mercado tem revelado "dinamismo nos últimos anos, condizente com as condições macroeconômicas positivas" da economia brasileira. A oferta, considerada pela autoridade monetária como "vigorosa", segue às melhorias legais, como a alienação fiduciária, e também à evolução da renda e do emprego das famílias.
Nesse período, o crédito para as empresas cresceu 530%, chegando a R$ 34,3 bilhões também em julho de 2010. Apesar do amplo domínio da Caixa Econômica Federal no financiamento aos mutuários, os recursos direcionados para as empresas ainda é um mercado cativo dos grandes bancos. As incorporadoras têm uma carteira de R$ 18,7 bilhões, enquanto o restante, R$ 15,6 bilhões, é o saldo das linhas para a construção de edifícios.
Segundo o BC, o desempenho "refletiu o elevado volume de lançamentos imobiliários, especialmente entre 2007 e 2008, beneficiados pelos recursos captados no mercado de capitais" por parte das grandes incorporadoras e construtoras. Desde 2005, 29 empresas do setor realizaram processo de abertura de capital. As emissões somaram R$ 32,1 bilhões, além de outros R$ 5,5 bilhões captados por meio de debêntures.
Os segmentos relacionados também vêm sendo beneficiados pelo boom de crédito à habitação. As empresas de serviços imobiliários demandam mais empréstimos e o estoque da carteira atingiu R$ 6,6 bilhões. Outros R$ 22 bilhões compõem o estoque do setor de material de construção, além do direcionamento de mais R$ 6,2 bilhões em infra estrutura ligada à construção civil.
Durante coletiva para divulgação do Relatório de Inflação, na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, comentou que esse segmento apresenta um crescimento expressivo, mas o volume ainda é pequeno, da ordem de 3,5% do PIB. Segundo ele, há países que tem estoque muito superior ao Brasil. "40% do PIB não é exagerado", disse.
04.10.2010
O dinamismo do setor de construção civil atrai cada vez mais a atenção dos bancos. O saldo total de empréstimos para as empresas ligadas à cadeia imobiliária atingiu a marca de R$ 69 bilhões em julho deste ano, saindo de R$ 20 bilhões há cinco anos. O crescimento desde 2005 atingiu a marca expressiva de 250%, segundo dados do Banco Central (BC).
Somando o estoque de linhas para as famílias, de R$ 116 bilhões, o total de recursos devido às instituições financeiras acumula R$ 185 bilhões, avanço de 300% nos últimos cinco anos, ou o equivalente a uma expansão média de 45% ao ano. As informações constam de um levantamento feito pela autoridade monetária para o último Relatório de Inflação, relativo ao mês de setembro.
De acordo com o BC, o mercado tem revelado "dinamismo nos últimos anos, condizente com as condições macroeconômicas positivas" da economia brasileira. A oferta, considerada pela autoridade monetária como "vigorosa", segue às melhorias legais, como a alienação fiduciária, e também à evolução da renda e do emprego das famílias.
Nesse período, o crédito para as empresas cresceu 530%, chegando a R$ 34,3 bilhões também em julho de 2010. Apesar do amplo domínio da Caixa Econômica Federal no financiamento aos mutuários, os recursos direcionados para as empresas ainda é um mercado cativo dos grandes bancos. As incorporadoras têm uma carteira de R$ 18,7 bilhões, enquanto o restante, R$ 15,6 bilhões, é o saldo das linhas para a construção de edifícios.
Segundo o BC, o desempenho "refletiu o elevado volume de lançamentos imobiliários, especialmente entre 2007 e 2008, beneficiados pelos recursos captados no mercado de capitais" por parte das grandes incorporadoras e construtoras. Desde 2005, 29 empresas do setor realizaram processo de abertura de capital. As emissões somaram R$ 32,1 bilhões, além de outros R$ 5,5 bilhões captados por meio de debêntures.
Os segmentos relacionados também vêm sendo beneficiados pelo boom de crédito à habitação. As empresas de serviços imobiliários demandam mais empréstimos e o estoque da carteira atingiu R$ 6,6 bilhões. Outros R$ 22 bilhões compõem o estoque do setor de material de construção, além do direcionamento de mais R$ 6,2 bilhões em infra estrutura ligada à construção civil.
Durante coletiva para divulgação do Relatório de Inflação, na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, comentou que esse segmento apresenta um crescimento expressivo, mas o volume ainda é pequeno, da ordem de 3,5% do PIB. Segundo ele, há países que tem estoque muito superior ao Brasil. "40% do PIB não é exagerado", disse.
Demanda imobiliária
Jornal do Commercio
21.09.2010
A crescente demanda por crédito imobiliário vem preocupando, cada vez mais, representantes das diferentes esferas ligadas ao setor de construção civil, que alertam para um esgotamento dos recursos da poupança para este fim em cerca de dois a três anos. "Até 2013, teremos de criar novas fontes para continuar financiando o crescimento vigoroso na produção de imóveis", disse ontem o deputado federal Fernando Chucre, em evento na sede do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).
No início deste mês, a Caixa Econômica Federal elevou a previsão para liberação de financiamento imobiliário em 2010 de R$ 60 bilhões para R$ 70 bilhões. Vendo "um sinal amarelo" já em 2012, o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, ressalta que a ex¬pansão da oferta por crédito imobiliário deve ser suportada por medidas governamentais e por novas fontes de recursos. "Vejo potencial enorme de crescimento. Temos estoque de financiamento imobiliário baixíssimo. No Chile, por exemplo, fica entre 30% e 40% dos balanços dos bancos", disse ele.
Setúbal alertou para a necessidade de se criar novos mecanismos de financiamento, apoiados em uma política de juros estáveis. "No financiamento imobiliário, a taxa de longo prazo tem que vir para baixo. Primeiro, reduzindo a Selic. É preciso ter uma política que leve à redução da taxa Selic, mantendo a taxa de longo prazo também em baixa."
O excesso de regulamentação na área imobiliária, resultado da escassez de crédito que acompanhava o setor até pouco tempo atrás, também foi apontada por Setúbal como um entrave para a ampliação da oferta de crédito. "O governo precisa pensar em uma estrutura de financiamento mais ágil, menos burocrática", afirmou.
Fontes Alternativas
Com o rápido avanço da demanda por crédito, alguns bancos já vêm ultrapassando o limite de utilização da poupança, que é de 65%. Esse cenário leva os agentes do setor a considerar urgente a busca por fontes alternativas de financiamento.
"Qualquer fonte de recurso criada artificialmente será facilmente esgotada. A base do sistema de financiamento imobiliário será formada por recursos do mercado", disse Setúbal, que defende a maior utilização de "covered bonds", tradicionalmente usados na Europa, que funcionam como uma espécie de Letra de Crédito Imobiliário emitida pelos bancos.
Já o presidente do Secovi-SP João Crestana, aposta em três frentes para complementar os recursos voltados a crédito habitacional: securitização, fundos internacionais e fundos de pensão, que "aplicam muito pouco no setor imobiliário, diferente do resto do mundo". Segundo Crestana, com a revisão dos "engessamentos" criados ao longo dos anos por parte do governo, os fundos poderão ter remuneração maior e, assim, competir com a poupança.
21.09.2010
A crescente demanda por crédito imobiliário vem preocupando, cada vez mais, representantes das diferentes esferas ligadas ao setor de construção civil, que alertam para um esgotamento dos recursos da poupança para este fim em cerca de dois a três anos. "Até 2013, teremos de criar novas fontes para continuar financiando o crescimento vigoroso na produção de imóveis", disse ontem o deputado federal Fernando Chucre, em evento na sede do Secovi-SP (Sindicato da Habitação).
No início deste mês, a Caixa Econômica Federal elevou a previsão para liberação de financiamento imobiliário em 2010 de R$ 60 bilhões para R$ 70 bilhões. Vendo "um sinal amarelo" já em 2012, o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, ressalta que a ex¬pansão da oferta por crédito imobiliário deve ser suportada por medidas governamentais e por novas fontes de recursos. "Vejo potencial enorme de crescimento. Temos estoque de financiamento imobiliário baixíssimo. No Chile, por exemplo, fica entre 30% e 40% dos balanços dos bancos", disse ele.
Setúbal alertou para a necessidade de se criar novos mecanismos de financiamento, apoiados em uma política de juros estáveis. "No financiamento imobiliário, a taxa de longo prazo tem que vir para baixo. Primeiro, reduzindo a Selic. É preciso ter uma política que leve à redução da taxa Selic, mantendo a taxa de longo prazo também em baixa."
O excesso de regulamentação na área imobiliária, resultado da escassez de crédito que acompanhava o setor até pouco tempo atrás, também foi apontada por Setúbal como um entrave para a ampliação da oferta de crédito. "O governo precisa pensar em uma estrutura de financiamento mais ágil, menos burocrática", afirmou.
Fontes Alternativas
Com o rápido avanço da demanda por crédito, alguns bancos já vêm ultrapassando o limite de utilização da poupança, que é de 65%. Esse cenário leva os agentes do setor a considerar urgente a busca por fontes alternativas de financiamento.
"Qualquer fonte de recurso criada artificialmente será facilmente esgotada. A base do sistema de financiamento imobiliário será formada por recursos do mercado", disse Setúbal, que defende a maior utilização de "covered bonds", tradicionalmente usados na Europa, que funcionam como uma espécie de Letra de Crédito Imobiliário emitida pelos bancos.
Já o presidente do Secovi-SP João Crestana, aposta em três frentes para complementar os recursos voltados a crédito habitacional: securitização, fundos internacionais e fundos de pensão, que "aplicam muito pouco no setor imobiliário, diferente do resto do mundo". Segundo Crestana, com a revisão dos "engessamentos" criados ao longo dos anos por parte do governo, os fundos poderão ter remuneração maior e, assim, competir com a poupança.
Acesso a financiamento imobiliário é quase cinco vezes maior na alta renda
16.09.2010
InfoMoney
Apenas 1,69% dos brasileiros da classe E possui acesso a financiamento imobiliário. O percentual é quase cinco vezes maior nas classes AB, subindo para 7,74%. O resultado é de uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), divulgada na semana passada.
“Em termos de moradia, observamos que a série se mantém mais ou menos estável desde 2004, com pequena queda se considerarmos a variação entre 2003 e 2009”, afirma o relatório.
Na classe C, o acesso ao financiamento imobiliário foi de 4,97% no ano passado, enquanto na classe D, de 2,98%.
O levantamento mostrou que diminuiu a proporção das famílias com moradia própria já paga, de 71,27% em 2008 para 70,58% em 2009. Também caiu o percentual de famílias com casa própria, porém, ainda pagando: de 4,35% em 2008 para 4,29% em 2009.
Mais aluguéis caros
Os números apresentam ainda um crescimento no número de moradias nas quais o valor do aluguel está acima da média. O aluguel mais caro, segundo a FGV, pode ser interpretado como melhoria na qualidade de moradia.
As famílias em imóveis nessas condições aumentaram 89,8% no acumulado desde 2003. Naquele ano, 4,73% das famílias pagavam aluguel acima da média. Em 2008 esse número já era de 8,19%, subindo para 8,98% no ano passado.
Já as famílias que pagam aluguéis mais baratos que a média eram 8,70% em 2003, caindo para 7,17% em 2008 e para 6,80% no ano passado.
InfoMoney
Apenas 1,69% dos brasileiros da classe E possui acesso a financiamento imobiliário. O percentual é quase cinco vezes maior nas classes AB, subindo para 7,74%. O resultado é de uma pesquisa do Centro de Políticas Sociais da FGV (Fundação Getúlio Vargas), divulgada na semana passada.
“Em termos de moradia, observamos que a série se mantém mais ou menos estável desde 2004, com pequena queda se considerarmos a variação entre 2003 e 2009”, afirma o relatório.
Na classe C, o acesso ao financiamento imobiliário foi de 4,97% no ano passado, enquanto na classe D, de 2,98%.
O levantamento mostrou que diminuiu a proporção das famílias com moradia própria já paga, de 71,27% em 2008 para 70,58% em 2009. Também caiu o percentual de famílias com casa própria, porém, ainda pagando: de 4,35% em 2008 para 4,29% em 2009.
Mais aluguéis caros
Os números apresentam ainda um crescimento no número de moradias nas quais o valor do aluguel está acima da média. O aluguel mais caro, segundo a FGV, pode ser interpretado como melhoria na qualidade de moradia.
As famílias em imóveis nessas condições aumentaram 89,8% no acumulado desde 2003. Naquele ano, 4,73% das famílias pagavam aluguel acima da média. Em 2008 esse número já era de 8,19%, subindo para 8,98% no ano passado.
Já as famílias que pagam aluguéis mais baratos que a média eram 8,70% em 2003, caindo para 7,17% em 2008 e para 6,80% no ano passado.
Credito imobiliário deve superar R$ 70 bilhões no ano, diz Caixa
A Caixa Econômica Federal elevou hoje sua projeção para crédito imobiliário em 2010. A expectativa é de que os financiamentos correspondam ao valor recorde de R$ 70 bilhões, ante previsão inicial de R$ 60 bilhões.
“O mais importante é que não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas, sim, de um ciclo virtuoso sustentável”, afirmou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, o valor aplicado em habitação até o dia 3 de setembro alcança R$ 47,6 bilhões, já superando o montante registrado em todo o ano passado, quando a Caixa emprestou R$ 47,05 bilhões. O número de contratos assinados nos oito primeiros meses de 2010 foi de 773.247.
Do total de recursos disponibilizados pela Caixa, R$ 21,4 bilhões tiveram como fonte a caderneta de poupança e R$ 20,7 bilhões vieram do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O restante é proveniente de outras fontes.
No caso do Programa Minha Casa, Minha Vida, o número de contratos neste ano supera 355 mil, somando R$ 21,8 bilhões.
Fonte: Valor
“O mais importante é que não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas, sim, de um ciclo virtuoso sustentável”, afirmou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho.
Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, o valor aplicado em habitação até o dia 3 de setembro alcança R$ 47,6 bilhões, já superando o montante registrado em todo o ano passado, quando a Caixa emprestou R$ 47,05 bilhões. O número de contratos assinados nos oito primeiros meses de 2010 foi de 773.247.
Do total de recursos disponibilizados pela Caixa, R$ 21,4 bilhões tiveram como fonte a caderneta de poupança e R$ 20,7 bilhões vieram do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O restante é proveniente de outras fontes.
No caso do Programa Minha Casa, Minha Vida, o número de contratos neste ano supera 355 mil, somando R$ 21,8 bilhões.
Fonte: Valor
Financiamento imobiliário
Muitos amigos e clientes sempre me perguntam que como devem proceder para a compra de um imóvel com financiamento imobiliário. Eu recomento a empresa Credipronto, do Itaú e Grupo Lopes, que tem expertise e profissionais muito atenciosos para tratar desse assunto. Hoje as taxas de juros são bastante atraentes e o processo de liberação é muito rápido, em média 28 dias. Não deixe de consultá-los quando precisar de financimento imobiliário. Já fiz vários contratos com a Credipronto e recomendo.
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A vez do alto padrão
As condições para a compra de imóveis deram um salto nos últimos anos, estimuladas por medidas do governo. Mas também houve melhoras para as casas e apartamentos de alto padrão. Os juros médios para imóveis que custam mais de 500 000 reais caíram de 14,1%, em 2004, para 10,8% neste ano, sem contar a TR. Parece pouco, mas representa uma diferença de cerca de 1000 reais na prestação de um financiamento de 20 anos -- o que dá 245 000 reais ao final da compra. O que fez com que as taxas caíssem? Concorrência. "Os bancos nunca competiram tanto por esses clientes", diz Luiz Antonio França, diretor de crédito imobiliário do Itaú Unibanco.
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