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Tombini: BC está atento ao financiamento imobiliário

Por Adriana Fernandes, Fabio Graner e Fernando Nakagawa

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a afirmar hoje que o BC está atento ao crédito imobiliário e disse que não há nada que exija medidas prudenciais para esse mercado. Embora não enxergue risco de bolha do crédito imobiliário no Brasil, Tombini destacou que a crise financeira internacional surgiu nesse segmento.

"Estamos atentos. Não há nada nesse momento que requeira medidas prudenciais, mas somos pagos para verificar o mercado", disse. Ele ressaltou que há espaço para crescimento do financiamento imobiliário nos próximos anos.

Tombini avaliou ainda que houvesse forte crescimento do mercado de crédito ao consumo, que continuará em expansão, mas com taxas mais moderadas. Já no mercado de crédito imobiliário, afirmou o presidente do BC, é natural que com a demanda reprimida de seis milhões de residências (o déficit habitacional) a tendência seja de crescimento maior. "Essa é uma área de atenção. Mas não há nada em especial", insistiu. Tombini ponderou que o crédito imobiliário é ainda pequeno no Brasil, correspondendo a menos de 5% do PIB.

O presidente do BC destacou hoje que uma das preocupações da autoridade monetária é com a qualidade do atendimento ao cliente bancário. Segundo ele, a inclusão bancária é uma realidade no País e há uma série de medidas sendo tomadas para aumentá-la. "Há uma atenção grande para que esse processo continue", disse. "Temos uma preocupação que as instituições financeiras lidem com qualidade", acrescentou. Ele ponderou, no entanto, que esse processo tem que se dar com segurança.

Brasil viverá o "sonho americano", diz Trabuco

O Brasil passará nos próximos anos pelo melhor ciclo econômico de sua história, prevê o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi. "Vamos vivenciar, na segunda década do século XXI, aquilo que foi chamado de "sonho americano"", disse o executivo nesta quinta-feira ao palestrar em evento promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef).

Segundo Trabuco, ao transformar pobres em consumidores, o Brasil está criando as condições para alcançar tal cenário. "Basta lembrar que 11 milhões de brasileiros vão viajar pela primeira vez de avião nos próximos 12 meses", exemplificou. O presidente do Bradesco, entretanto, lembrou que ao mesmo tempo em que o país presencia uma melhora nas condições de vida da população, enfrenta o desafio de resolver os gargalos que restringem sua expansão. "Essas pessoas vão chegar aos aeroportos e encontrar filas. Esse é o descompasso que vemos hoje no Brasil, um país que cresce, mas ainda não promove o aumento da felicidade pessoal."
Pelos cálculos de Trabuco, quando o Brasil contabilizar 247 milhões de brasileiros, 60% da população será economicamente ativa. O bônus demográfico, em sua avaliação, é uma das grandes vantagens do país. "Se em dez anos não abrirmos 100 milhões de novas contas bancárias é porque alguma coisa deu errado", ressaltou.

A crise econômica, comentou o executivo, fez o mundo ver o Brasil com novos olhos. Dessa vez, avaliou Trabuco, o país terá a oportunidade de crescer com sustentabilidade. "O que sentimos, tendo por base nosso relacionamento com 1,4 milhão de empresas, é que o Brasil está crescendo em todos os setores. Não há uma dependência setorial."

No setor imobiliário, Trabuco descarta a existência de "bolha". "Com um crédito imobiliário de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), há muita distância até uma bolha", avaliou. No México e na Africa do Sul o setor representa entre 12 e 18% do PIB.

Credito imobiliário deve superar R$ 70 bilhões no ano, diz Caixa

A Caixa Econômica Federal elevou hoje sua projeção para crédito imobiliário em 2010. A expectativa é de que os financiamentos correspondam ao valor recorde de R$ 70 bilhões, ante previsão inicial de R$ 60 bilhões.

“O mais importante é que não se trata de um acontecimento sazonal ou isolado, mas, sim, de um ciclo virtuoso sustentável”, afirmou a presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho.

Segundo balanço divulgado nesta quinta-feira, o valor aplicado em habitação até o dia 3 de setembro alcança R$ 47,6 bilhões, já superando o montante registrado em todo o ano passado, quando a Caixa emprestou R$ 47,05 bilhões. O número de contratos assinados nos oito primeiros meses de 2010 foi de 773.247.

Do total de recursos disponibilizados pela Caixa, R$ 21,4 bilhões tiveram como fonte a caderneta de poupança e R$ 20,7 bilhões vieram do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). O restante é proveniente de outras fontes.

No caso do Programa Minha Casa, Minha Vida, o número de contratos neste ano supera 355 mil, somando R$ 21,8 bilhões.

Fonte: Valor