Aumento da procura por aluguel atrai investidores

Folha de São Paulo
27.09.2010

Em São Paulo, o mercado aquecido e a valorização dos imóveis aumentam o interesse de investidores por comprá-los. Para quem pensa em adquirir um para alugar, o cenário é promissor: combina boa demanda e alta nos valores dos aluguéis.

"Temos notado um grande aumento no número de locações de um ano para cá", afirma Cícero Yagi, consultor de locação do Secovi-SP (sindicato da habitação). "A melhora da economia leva pessoas a morarem sozinhas", justifica.

A velocidade para fechar o contrato de aluguel mostra a boa demanda.

De acordo com levantamento do Secovi-SP com 120 imobiliárias, em agosto, um imóvel residencial levava de 12 a 31 dias para ser alugado na capital. Os que têm um dormitório não passaram mais de 21 dias vagos; as unidades com três quartos ficaram livres por até 41 dias.

Alexandre Ruiz, diretor do portal ZN de imóveis -que atua nas zonas leste, norte e oeste- afirma que as unidades do site são locadas, em média, após uma semana.

APRECIAÇÃO

A dificuldade em encontrar unidades vagas reflete no preço. Os contratos fechados em agosto, segundo a mesma pesquisa, registraram valores de aluguel 11,44% maiores do que os contratados há um ano.

O IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado da Fundação Getulio Vargas) acumulado nos últimos 12 meses somou 6,99%.

Confira nesta edição em que regiões os paulistanos mais procuram imóveis residenciais para alugar, quanto custa o aluguel em diferentes distritos e qual é a rentabilidade do investimento.

Especialistas mostram ainda como escolher a imobiliária, fazer o contrato e dividir gastos com o inquilino.

Imóveis residenciais próximos a centros comerciais, universidades e estações de metrô são mais rentáveis

Folha Online
27.09.2010

Os empreendimentos residenciais mais procurados por investidores são aqueles que oferecem dois e três dormitórios e possuem área útil entre 50 m² e 80 m².

Como os preços dessas unidades são menores, a velocidade com que são alugadas aumenta. Também atendem a diversos públicos, desde estudantes até famílias.

A escolha do bairro onde comprar costuma ser conservadora como o investimento. A ideia é procurar regiões consolidadas, próximas a estações de metrô, universidade e escritórios.

Para definir onde dá para aliar aluguel rentável a regiões com alta ocupação, a Folha consultou especialistas, que apontaram os distritos de Bela Vista, Consolação, Liberdade (centro), Barra Funda, Butantã, Itaim Bibi, Jardim Paulista, Perdizes, Pinheiros (zona oeste), Campo Belo, Moema e Vila Mariana (zona sul).

"Vale a pena investir porque são locais onde a locação é garantida", diz Fernando Sita, diretor de usados da Coelho da Fonseca.

O benefício tem seu preço (confira alguns nas fichas do quadro ao lado). "Nessas regiões o metro quadrado é mais caro. Para quem não tem tanto capital, vale optar por bairros que estão se reestruturando ou próximos a shoppings e futuras estações de metrô", completa Rubens Júnior, diretor da regional São Paulo da Rossi.


APOSTA

Quem não tem pressa para começar a receber os dividendos do aluguel pode apostar na compra dos imóveis na planta em regiões que devem se valorizar.

"A perspectiva de valorização dos imóveis nas imediações de futuras estações de metrô é de 10% a 20%. Quando a obra é entregue, a valorização aumenta", afirma Roseli Hernandes, diretora comercial da Lello Imóveis.

Para Rubens Júnior, a valorização vai se concentrar especialmente nas regiões sul e oeste, onde há mais melhorias na infraestrutura.

Fernando Sita ressalta que investir em regiões que antes eram puramente comerciais, como as proximidades das avenidas Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luiz Carlos Berrini, é uma boa opção. "As pessoas querem, cada vez mais, morar perto do trabalho", afirma. Para isso, é sempre bom conhecer corretores, que podem passar os lançamentos em primeira mão.

"Antes do lançamento, procuramos potenciais investidores", conta Paola Alambert, diretora de marketing da Abyara.

Eike Batista prepara entrada no mercado imobiliário

Valor
27.09.2010

O empresário Eike Batista prepara uma grande ofensiva no mercado imobiliário. Pretende repetir, naquele que é hoje um dos setores mais aquecidos da economia, a ousadia que marca seus negócios. De um lado, está reestruturando a REX (Real Estate X), empresa do grupo que tinha atuação tímida na área e agora se prepara para atuar em vários setores e em todo o Brasil. De outro, segundo apurou o Valor, Eike Batista já começa a buscar oportunidades de aquisições de empresas dos mais variados portes.

A REX acaba de contratar para presidir as suas operações o executivo Marco Adnet, que deixou a direção nacional de vendas da Rossi para assumir o desafio de comandar as operações imobiliárias do empresário Eike Batista. Carioca, Adnet ficou na Rossi por dez anos, participou da volta da companhia a bolsa e, por alguns anos, ficou como diretor regional responsável pelo Rio, Espirito Santo e Bahia. No último ano, havia assumido a direção nacional da companhia. Antes da Rossi, passou pela Gomes de Almeida Fernandez (nome anterior da Gafisa), Atlantica Empreendimentos e Patrimovel, grande imobiliária do Rio

A REX foi criada pela holding EBX em 2008 para cuidar dos ativos imobiliários do grupo e comprar terrenos em áreas próximas aos empreendimentos das empresas do grupo. Nessa fase, acumulou 22 milhoes de metros quadrados de terrenos nos Estados do Rio, Ceará e Santa Catarina.

A empresa está em fase pré-operacional e deve voltar a atuar, já com a nova configuração, em janeiro. Segundo o grupo informou ao Valor, por meio de sua assessoria de imprensa, a REX terá três focos de atuação: incorporação imobiliária, desenvolvimento de projetos urbanísticos e investimentos em ativos imobiliários para renda. Ou seja, vai atuar e concorrer em todos os segmentos do setor, dos imóveis residenciais aos loteamentos e edifícios de escritórios de alto padrão.

Um dos primeiros e provavelmente um dos maiores projetos da REX é a já anunciada Cidade X, projeto habitacional na cidade de São João da Barra, no norte fluminense, para 250 mil pessoas. Atualmente, a cidade tem 33 mil habitantes. A Cidade X será formada por casas de um e três quartos, escolas, hospital, supermercados e lojas.

"O foco da REX, em linha com os demais projetos do grupo EBX, é o desenvolvimento de projetos estruturantes e transformacionais, com conceitos de sustentabilidade e tecnologia de ponta, que reflitam qualidade e eficiência", disse a companhia, via e-mail. Ainda segundo a EBX, a estratégia de negócios será direcionada prioritariamente para as áreas onde está presente, especialmente na retroárea do complexo industrial do Açu, em São João da Barra (RJ), onde a LLX, a empresa de logística do grupo EBX, está construindo o Superporto do Açu.

Paralelamente, o empresário e homem mais rico do Brasil começa a olhar empresas do setor imobiliário, tanto de capital aberto - o que daria a ele a oportunidade de entrar no setor sem ter que enfrentar um novo processo de abertura de capital, por meio do chamado "IPO as avessas" - quanto companhias fechadas de menor porte. "Ele está olhando tudo o que tem no setor", afirma fonte.